segunda-feira, 16 de julho de 2012

O elogio da coragem!

Caros amigos da Confraria da Feira! Nestes dias em que a mentira anda de mãos dadas com o Governo e com a mídia, em que, para salvar um único banco privado (Votorantim), se gasta mais dinheiro do povo do que com todas as obras da expansão universitária no Brasil, em que se gastam 46% de todos os impostos que pagamos para alimentar a roda infinita dos juros sobre juros da banca privada, os versos de Eduardo Alves da Costa, em homenagem a coragem do grande poeta soviético Wladimir Maiakovski, nos convidam à reflexão e nos chamam para colocar fogo nos nossos corações, erguermos nossa voz e clamarmos:  AUDITORIA JÁ!  Pelo fim da exploração insana e suicida do sistema financeiro mundial!

http://midialee.files.wordpress.com/2009/12/maiakovski-1921-world-stands-on-vulcan-the-window-of-glavpolitsovet.jpg?w=540

No Caminho, com Maiakóvski
Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.



Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.



Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.



Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.



Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.



E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

De rios e sangue

Dias explosivos
de greves,
protestos
e rebeliões!

Cine greve,
passeatas,
praça pública
e reuniões!

Não é tempo
do grito contido,
da lágrima represada,
do som dos grilhões!

Agora é o tempo do sonho,
do chorar juntos!
Correnteza forte,
extravazamentos,
inundações!

Tempo do sangue quente,
da palavra sentida,
do amor pela vida,
do olhar em frente!

Um só povo!
Um só coração!

Rafael Cabral Cruz, 09/07/2012. Em Greve!


Carta de solidariedade vinda da Califórnia

Emocionante recebermos esta carta em solidariedade pela luta pela qualidade da educação pública! O movimento contra as diretrizes do Banco Mundial pela privatização e transformação da educação em mercadoria não é somente dos docentes brasileiros em greve, mas uma luta histórica cada vez mais globalizada (o outro lado da globalização)!


First Statewide Student Union Conference
Santa Monica, California, United States
May 19th, 2012

Letter of Solidarity With The Striking Professors of Brazil's Federal Universities 

On Thursday, May 17th, professors at 34 Federal Universities across Brazil went out on strike in 
defense of the right to high quality public education. 

Today in California, students from across all the levels of public higher education are meeting to 
discuss the formation of a Student Union to give organizational form to our unity in the struggle against 
the defunding, privatization and re-segregation of our public educational systems. 

We would like to take this occasion to extend our full solidarity with you, the professors of Brazil, 
and to tell you that you are not alone in this fight. The attacks on education are being enacted on an 
international scale. And even here, in one of the countries with the most advanced neo-liberal project for 
education, we students are organizing resistance. 

Here in the United States, educators' unions are under constant attack. But as students we see 
clearly the value of workers' organizations because our professors' working conditions are our learning 
conditions. And your struggle is also our own! 

Uma só luta! 

Signed by individual students, faculty, and staff from the following educational institutions in 
California: 

Kindergarten – 12th Grade: California State University System: 
Santa Monica High School California State University - Los Angeles 
Los Angeles Unified School District San Francisco State University 
California State Polytechnic University - Pomona 
California Community College System: San Diego State University 
Santa Monica College California State University- Northridge 
Los Angeles City College California State University - Long Beach 
Pasadena City College California State University - Dominguez Hills 
City College of San Francisco 
Berkeley City College University of California System: 
El Camino College University of California - Los Angeles 
Los Angeles Valley College University of California - Berkeley 
Downey Career College University of California - Santa Cruz 
Compton Community College University of California - Irvine 
Long Beach City College 
Palomar Community College Private Schools: 
Whittier College 
Colorado College 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Poesias docentes 2!

A poetisa Joyce Lima Krischke, na sua obra "A Volta da Lu@ Azul", editado pela Alcance em sua segunda edição em 2007, dedicou um poema à docência.

PROFESSORA: SEMPRE PROFESSORA!

Professora? Sim, sou professora!
Sempre serei uma professora.
Sou aquela que muito usou o giz.
Professora que da vida  é aprendiz.

Professora do B, A, BA...Do um mais um,
Professora que estudou aluno...um a um.
Professora que viu seu aluno prefeito
embora seu estudo não tenha sido perfeito.

Professora da professora de seu filho,
Cuja missão é dar luzes e não brilho.
Professora que, da escola, até o chão lavou
E de muitos alunos as suas feridas tratou.

Professora da ciranda, cirandinha...
Professora da menina em desalinho.
Professora que muito segredo guarda...
Professora...ouviu muito e ficou calada.

Professora da primavera e do verão
Professora sempre em qualquer estação
Professora da pequena escola do interior
Professora do universitário "enfrentador".

Professora da diretora e da supervisora.
Sim, sou professora... Já fui até inspetora!
Vivenciei todos os papéis no magistério,
Descobrindo da vida algum mistério...

Professora... Ser professora sempre eu quis!
Professora do lápis, da borracha e do giz,
Professora da caneta, da prova vestibular,
Conjugando, dia após dia, o verbo amar!

Poesias docentes!

Na sequência, belo conjunto de versos da grande poetisa chilena Gabriela Mistral, publicado na sua "Antología de Poesía y Prosa", Ed. Fondo de Cultura Económica, 2 ed., 2007, páginas 305-308.



Pensamientos pedagógicos de Gabriela Mistral

Para las que enseñamos

1. Todo para la escuela; muy poco para nosotras mismas.
2. Enseñar siempre en el patio y en la calle como en la sala de clase. Enseñar con la actitud, el gesto, y la palabra.
3. Vivir las teorías hermosas. Vivir la bondad, la actividad y la honradez profesional.
4. Amenizar la enseñanza con la hermosa palabra, con la anécdota oportuna y la relación de cada conocimiento con la vida.
5. Hacer innecesaria la vigilancia de la jefe. En aquella a quien no se vigila, se confía.
6. Hacerse necesaria, volverse indispensable: esa es la manera de conseguir estabilidad en un empleo.
7. Empecemos, las que enseñamos, por no acudir a los medios espurios para ascender. La carta de recomendación, oficial o no oficial, casi siempre es la muleta para el que no camina bien.
8. Si no realizamos la igualdad y la cultura dentro de la escuela ¿dónde podrán exigirse estas cosas?
9. La maestra que no lee tiene que ser mala maestra: ha rebajado su profesión al mecanismo de oficio, al no renovarse espiritualmente.
10. Cada repetición de la orden de un jefe, por bondadosa que sea, es la amonestación y la constancia de una falta.
11. Más puede enseñar un analfabeto que un ser sin honradez, sin equidad.
12. Hay que merecer el empleo cada día. No bastan los aciertos ni la actividad ocasionales.
13. Todos los vicios y la mezquindad de un pueblo son vicios de sus maestros.
14. No hay más aristocracia, dentro de un personal, que la aristocracia de la cultura, o sea de los capaces.
15. Para corregir no hay que temer. El peor maestro es el maestro con miedo.
16. Todo puede decirse, pero hay que dar con la forma. La más acre reprimenda puede hacerse sin deprimir ni envenenar un alma.
17. La enseñanza de los niños es tal vez la forma más alta de buscar a Dios; pero es también la más terrible en sentido de la tremenda responsabilidad.
18. Lo grotesco proporciona una alegría innoble. Hay que evitarlo en los niños.
19. Hay que eliminar de las fiestas escolares todo lo chabacano.
20. Es una vergüenza que hayan penetrado en la escuela el couplet y la danza grotesca.
21. La nobleza de la enseñanza comienza en la clase atenta y comprende el canto exaltador en sentido espiritual, la danza antigua – gracia y decoro-, la charla sin crueldad y el traje simple y correcto.
22. Tan peligroso es que la maestra superficial charle con la alumna, como es hermoso que esté a su lado siempre la maestra que tiene algo que enseñar fuera de clase.
23. Las parábolas de Jesús son el eterno modelo de enseñanza: usar la imagen, ser sencilla y dar bajo apariencia el pensamiento más hondo.
24. Es un vacío intolerable el de la instrucción que antes de dar conocimientos, no enseña métodos para estudiar.
25. Como todo no es posible retenerlo, hay que hacer que la alumna seleccione y sepa distinguir entre la médula de un trozo y el detalle útil pero no indispensable.
26. Como los niños no son mercancías, es vergonzoso regatear el tiempo en la escuela. Nos mandan instruir por horas y educar siempre. Luego, pertenecemos a la escuela en todo momento que ella nos necesite.
27. El amor a las niñas enseña más caminos a la que enseña que la pedagogía.
28. Estudiamos sin amor y aplicamos sin amor las máximas y aforismos de Pestalozzi y Froebel, esas almas tan tiernas, y por eso no alcanzamos lo que alcanzaron ellos.
29. No es nocivo comentar la vida con las alumnas, cuando el comentario critica sin emponzoñar, alaba sin pasión y tiene intención edificadora.
30. La vanidad es el peor vicio de una maestra, porque la que se cree perfecta se ha cerrado, en verdad, todos los caminos hacia la perfección
31. Nada es más difícil que medir en una clase hasta dónde llegan la amenidad y la alegría y dónde comienza la charlatanería y el desorden.
32. En el progreso o el desprestigio de un colegio todos tenemos parte.


33. ¿Cuántas almas ha envenenado o ha dejado confusas o empequeñecidas para siempre una maestra durante su vida?
34. Los dedos del modelador deben ser a la vez firmes, suaves, amorosos.
35. Todo esfuerzo que no es sostenido se pierde.
36. La maestra que no respeta su mismo horario y lo altera sólo para su comodidad personal, enseña con eso el desorden y la falta de seriedad.
37. La escuela no puede tolerar las modas sin decencia.
38. El deber más elemental de la mujer que enseña es el decoro en su vestido. Tan vergonzosa como la falta de aseo es la falta de seriedad en su exterior.
39. No hay sobre el mundo nada tan bello como la conquista de almas.
40. Existen dulzuras que no son sino debilidades.
41. El buen sembrador siembra cantando.
42. Toda lección es susceptible de belleza.
43. Es preciso no considerar la escuela como casa de una, sino de todas.
44. Hay derecho a la crítica, pero después de haber hecho con éxito lo que se critica.
45. Todo mérito se salva. La humanidad no está hecha de ciegos y ninguna injusticia persiste.
46. Nada es más triste que el que la alumna compruebe que su clase equivale a su texto.

Pela Greve, Pela Educação

Caros amigos da Confraria da Feira!

Já são 48 Instituições Federais de Ensino Superior em greve docente no Brasil! Diante da situação crônica de desvalorização da carreira docente no Brasil, fiz alguns versos para a mobilização dos companheiros e resolvi publicar aqui na Confraria. Na sequência vou publicar algumas poesias que versam sobre o tema docência.

Saudações poéticas!


Pela Greve, Pela Educação


                                    Rafael Cabral Cruz
                                    São Gabriel, 26 de maio de 2012.


Se existisse outra vida,
Em outra dimensão,
Certamente,
Sem dúvida,
De todo coração,
Seria professor!

E assim,
Cheio de amor,
Poesia e razão,
Lutaria,
Até o fim,
Pela nossa Educação!

Porque ser docente
É mais que dar aula,
Pesquisa, extensão,
É ser decente,
exemplo de vida,
cidadão!

Por isto estou em greve!
Pela qualidade da educação,
Pública e gratuita,
Pela futura geração!

Não quero
para meus netos
O professor por bico,
O que para mais nada deu!

Quero
Para meus netos
O docente apaixonado
Que na vida floresceu!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

PALEONTOLOGIA DA VIDA

No último domingo, na V Feira do Livro de São Gabriel, estava conversando com os escritores Cláudio Moreira e Luís Artur Borges Pereira, navegando reminiscências, quando me referi ao Bar Americando, Galeria Quilombo, grupos Americando, Quatro Cantos, Santo Ofício (do qual fiz parte, junto com Eduardo e Mequinho), Basílio Conceição, Plínio, Hélio, Roseli, Harry Rosa, Thadeu Gomes e tantos outros músicos daquela época (primeira metade da década de 80 em Pelotas) e disse que hoje eu era um ex-músico. Luís me interrompeu e disse que não existe ex-músico. Prontamente, respondi dizendo que existiam fósseis de músicos dentro de mim....

PALEONTOLOGIA DA VIDA

Rafael Cabral Cruz

Nossa vida é uma sucessão de momentos,
Alguns intensos, amargos ou felizes,
Outros, que nem deixam cicatrizes,
São como areias carregadas pelos ventos.

O tempo passa lento e, inexoravelmente,
Vai sedimentando fragmentos de vida...
Na turbulência, dos amores, da lida,
Vai tudo soterrando, impavidamente...

No entanto, sedimentado em mim,
Há fósseis de momentos sentidos,
Imagens de espelhos retorcidos,
Enterrados debaixo dos alecrins...

Às vezes, quando bate a saudade,
Escavo estratos de sentimentos
Na busca de vívidos fragmentos
De momentos que perdi....

Descubro, na poeira da idade,
Que de fósseis e fragmentos,
Somente novos sentimentos
Me dizem que vivi!



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Algumas reflexões iniciais sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação e a educação

Durante a Jornada EaD efetuada na UNIPAMPA, em São Gabriel, escrevi este texto, com base em reflexões surgidas ao longo dos debates do primeiro dia de trabalhos. Espero que seja útil para entendermos o papel das TICs na sociedade moderna-líquida.

Abraço                         

Rafael Cabral Cruz, professor adjunto do Campus São Gabriel da UNIPAMPA

É notável como as tecnologias de informação e comunicação (TICs) têm entrado na nossa vida de forma avassaladora. 

Há um tempo atrás, quando trabalhava na Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul no Projeto de Monitoramento de Fauna Cinegética (aves de caça), um colega contou um caso muito interessante que reflete o contraste e a forma como as pessoas viviam as informações. Por ocasião de uma campanha de censo terrestre de aves aquáticas na região de Bagé, chegou uma equipe em uma Toyota Bandeirante repleta de equipamentos em um bolicho de campanha para tomar um refrigerante. Ao ingressar no recinto, paramentados com roupas camufladas, com máquinas de fotografia penduradas no pescoço, um gaúcho, apoiado em um dos cotovelos sobre o balcão, bicando um martelinho, não deixou de observar aquelas criaturas diferentes. Não resistiu. Logo perguntou:

- Não me leve a mal a pergunta, mas o que vocês fazem?

Prontamente um dos membros da equipe saiu explicando que estavam fazendo levantamento, nos banhados e açudes, do número de marrecas que existiam, explicando como procediam as contagens. O gaúcho ouviu atentamente entre um trago e outro de canha e, após a explanação, soltou:

- Hummmmm! Então vocês são tropeiros de marrecas......

Os censos eram realizados anualmente. Deste modo, no ano seguinte, a equipe parou no mesmo bolicho e encontrou o mesmo gaúcho encostado no balcão, com o mesmo copo de canha.... Segundo o bolicheiro, depois que a equipe partiu no ano anterior, a “tropeada de marrecas” foi assunto de acalorados debates no bolicho por mais de quatro meses!

Mais ou menos na mesma época, em função de meus estudos referentes ao mestrado, fiz uma viagem a São Paulo e, na bagagem, trouxe cerca de 30 kg de xerox de artigos que somente encontrava na USP. Valia a pena, pois para termos acesso aos artigos, fazíamos pesquisas na biblioteca da UFRGS em arquivos constantes em microfilmes e solicitávamos cópias pelo sistema de comutação bibliográfica (COMUT). Algumas vezes demorávamos mais de seis meses para receber o artigo solicitado. Eles viajavam pelo correio.

Naquela época, a quantidade de conhecimento que um profissional acessava durante a sua formação, através do que era repassado pelos professores ou que havia nas bibliotecas, definia o valor que o profissional teria para enfrentar os desafios profissionais no futuro. De certa forma, a qualidade da informação era certificada pela academia, uma vez que era repassada pelos docentes ou no acervo cuidadosamente selecionado das bibliotecas.

Pelo acesso a informação ser lento, líamos e relíamos os artigos e livros, refletíamos e discutíamos em grupos de estudo, procurando entender todo o conteúdo e pensar sobre as possíveis aplicações para a nossa realidade (a qual poderia ser genérica, em termos de visão de mundo ou específicas dos trabalhos nos quais estávamos envolvidos na iniciação científica).

Com o advento da internet, a conjuntura muda radicalmente. Na minha área, se colocar a palavra de busca “ecologia” no Google, obtenho o seguinte retorno: “Aproximadamente 34.600.000 resultados (0,10 segundos)” . Se usar “ecology”, obtenho: “Aproximadamente 96.400.000 resultados (0,09 segundos)”.

Imaginem que eu queira verificar cada uma destas entradas. Se quiser somente verificar se o sítio é interessante e gastar cerca de três minutos em cada um, gastaria cerca de 197 anos para terminar a tarefa para a palavra “ecologia” e cerca de 550 anos para “ecology”.

O universo de informações que uma pessoa pode acessar hoje, em função das TICs, é infinitamente maior que a sua capacidade de apreender este conhecimento ao longo de toda a sua vida.

O mundo do bolicho de Bagé e o da internet, orkut, facebook não está tão distante, nem no tempo, nem no espaço. No entanto, são completamente diferentes. No primeiro caso, as pessoas podiam viver uma novidade e discutir durante meses a mesma, digeri-la, até que uma nova novidade viesse desbancar a manchete (que não era do dia, nem da hora como na BANDNEWS, mas do ano). As informações, ao ficarem mais fáceis, também se tornam cada vez mais “instantâneas”, e as manchetes se sucedem de modo mais rápido, não deixando tempo para uma digestão adequada das mesmas. De certa forma, as TICs provocaram o que pode ser chamado de poluição informativa.

Se eu pudesse cumprir a missão de consultar durante os 550 anos somente as entradas listadas nas consultas acima (vamos imaginar que eu achei o elixir da longevidade e que vou ignorar todas as entradas novas sobre o tema nos próximos 550 anos), descobriria daqui a 550 anos, que a maior parte das entradas que teria avaliado durante todo este tempo seriam puro lixo. Poluição informativa, degradando o ambiente informacional e o nosso cérebro, que é o órgão através do qual construímos nossa visão de mundo. Descobriria que haveria perdido 550 anos de vida. No entanto, vivemos com uma expectativa de cerca de 75 anos. Logo, além de não podermos mais, como no tempo de Aristóteles, ter acesso a todo o conhecimento da humanidade, e nem mesmo de uma área do conhecimento, as habilidades e competências de um profissional deixaram de ser avaliadas em termos da sua capacidade de acumular conhecimento sobre uma série de disciplinas. Hoje a informação não está mais em uma biblioteca de um campus universitário, ela está, virtualmente, em todo o lugar, basta ter acesso à internet.

Nossos filhos já nascem em um mundo digital.

Neste mundo do instantâneo, são capazes de lidar rapidamente com o aprendizado tecnológico. Aprendem a usar computadores, softwares, celulares, smartphones, tablets com uma velocidade enorme. No entanto para que usam estas habilidades? Para que usam as TICs?

Vejamos a evolução das redes sociais. No MSN, as pessoas conversavam escrevendo sobre os temas e trocando informações rápidas. Dada a necessária velocidade da comunicação, a própria grafia começou a ser alterada, com “q” em lugar de “que” e assim por diante. Com o Orkut, as pessoas começaram a ser mais breves e os recados passaram a ser dominantes. No Facebook, os recados são ainda mais curtos e no Twitter, telegráficos. Assim como a duração da mensagem, sua validade se esgota em minutos, se não segundos. Não existe tempo para parar e pensar.

Além das redes sociais, basicamente os jovens usam a internet para jogos on line.  Quando usam para outros fins, normalmente é para assistir o You Tube, fazer downloads de músicas, filmes e acessar sítios de artistas. Além disso, somente por obrigação, quando são cobradas pesquisas na escola. Neste caso, além da Wikipédia, costumam consultar sítios que postam trabalhos prontos....

Raramente encontramos jovens que navegam na internet filtrando informações e usando seu conhecimento adquirido na escola e nas leituras para filtrar o lixo informativo e construir um conhecimento próprio, realmente. Para fazer isto, filtrar, são necessários filtros. Filtros são conhecimentos que possuem credibilidade e que podem ser adquiridos na escola ou nas leituras orientadas pela escola e, muitas vezes, pela família. Se alguém navega pela internet sem filtros, não poderá avaliar se as informações disponíveis nos sítios são válidas, contribuem para a construção do conhecimento, ou se são lixo informativo, que somente constrói a confusão e a dificuldade no aprendizado, quando não divulgando informações falsas e interpretações baseadas em suposições infundadas.

Ao contrário do passado, onde o profissional era avaliado pela quantidade de conhecimento que tinha, hoje, em um mundo poluído por lixo informativo, a maior competência é a de saber filtrar, em meio a um universo de informações infinito para fins práticos, as informações que são relevantes para que se possam construir conhecimentos que ajudem a melhorar a qualidade de vida do ser humano.

Isto requer um profissional que não é levado pela maré da torrente de informações instantâneas e irrefletidas. Isto pressupõe um profissional que sabe usar as TICs, que as domina e que as coloca a serviço do pensamento crítico. Ou seja, o oposto do sentido dominante da mídia, que é cada vez mais instantânea e acrítica. Hoje a mídia opina e pensa pelas pessoas, formando a opinião pública. Incute este senso comum “guela abaixo” das pessoas, em uma torrente de informações que não permite parar e pensar, uma legítima lavagem cerebral coletiva.

As TICs devem estar a serviço de quem? Da sociedade como um todo ou de alguns?

As TICs devem estar a serviço da humanidade, não a humanidade a serviço das TICs. Nosso futuro será o do ciborgue, que submete a tecnologia ao ser humano, ou da robotização do mesmo?

Bem, esta discussão exige, também, que se reflita sobre a conjuntura na qual se insere o programa de expansão do ensino superior no Brasil e o papel da EAD para atingir as metas.

Embora o Brasil esteja entre as dez maiores economias do Planeta, seus indicadores de qualidade de vida não correspondem ao acúmulo de riquezas. Entre eles, a educação do Brasil ocupa o 88º lugar na pesquisa de qualidade do ensino efetuada pela UNESCO, entre 127 países pesquisados.

O Brasil, em 2000 tinha 12,39% da população com Ensino Médio completo e 3,47% com Ensino Superior completo. Se considerarmos que o Japão, último país a embarcar no trem da Revolução Industrial no século XIX e criar as bases para se tornar um país desenvolvido, o que ocorreu como conseqüência da Revolução Meiji, em 1870, época da revolução, já possuía cerca de 40% da população economicamente ativa com o ensino médio completo.

Existe, portanto um grande déficit educacional para um país que deseja se tornar um país desenvolvido. Isto está por trás das políticas de expansão do Ensino Superior, incluindo, entre as estratégias, a EAD. Tudo para mudar, de forma acelerada este quadro de déficit educacional.

Para isto, as políticas públicas visam reduzir o tempo para formação dos estudantes, reduzir a evasão e aumentar o número de matrículas em um ritmo mais rápido que o crescimento populacional. Este desafio leva à chamada política da padaria, onde as instituições de ensino são pressionadas para formarem verdadeiras fornadas, sem que os “pães” “queimem”, ou seja, sem ultrapassar o tempo previsto para se formarem.

Esta pressão quantitativa pode gerar, por outro lado, um déficit de qualidade. Vejam dados que recebi do prof. Afrânio Righes:

“A China  investiu na capacitação de seus professores pagando melhores salários. O país destaca-se em 1º lugar na classificação da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que avaliou o desempenho dos estudantes com 15 anos do ensino fundamental em escolas públicas e privadas de 65 Países. O Brasil ocupa o 57º lugar em matemática, 53º em Literatura e 53º em Ciências (Veja, 2010). O senador Cristovam Buarque manifestou em Plenário, (23/03/2011), sua preocupação com o fato de o Brasil estar mal posicionado em relação aos demais países do mundo, ocupa o 88º lugar de 127 no ranking de qualidade da educação feito pela Unesco o país fica entre os de nível "médio" de desenvolvimento na área, atrás de Argentina, Chile e até mesmo Equador e Bolívia”.

De certa forma, nossas instituições de ensino estão como mariscos entre o mar e o rochedo. Por um lado pressionados por indicadores populacionais que apresentam um grande déficit educacional e por outro por um padrão de qualidade péssimo de nossa educação. Pergunta-se: é possível atender as duas demandas simultaneamente? Qual o papel das TICs neste processo? Atender a demanda quantitativa ou qualitativa? Usar as TICs como forma de acessar um mundo de informação de qualidade para aperfeiçoar e ampliar o processo ensino-aprendizagem ou para tentar usar como um curativo BANDAID para as feridas do nosso sistema educacional?

Responder a estas perguntas é algo fundamental para que possamos definir o papel das TICs na Educação.

V Feira do Livro de São Gabriel

Novamente estamos contemplando os toldos na praça, as pessoas transitando entre os estandes e o palco repleto de artistas e autoridades!
Que beleza ver a energia cultural de São Gabriel expressa em literatura, teatro, música e artes plásticas. A praça exerce o seu fascínio nestes dias. Exulta em sorrisos e encontros, diálogos de partilhamento de opiniões e emoções.
Parabéns São Gabriel por mais esta edição da Feira do Livro! Parabéns Dr. Poeta, patrono e exemplo de simplicidade e inspiração: gente de excelência!
Nós, da Confraria da Feira, além de estarmos presentes, também festejaremos o quinto aniversário de nosso encontro, nascido na fraternidade e voluntarismo que marcaram a primeira Feira do Livro de São Gabriel.
Abaixo segue a programação da Feira.


V FEIRA MUNICIPAL DO LIVRO
“A MAGIA DA LEITURA E DA ESCRITA NOS REVELA MIL TESOUROS”
VENHA CLAREAR SUAS IDEIAS!

PROGRAMAÇÃO
Local: Praça Dr. Fernando Abbott
20/10 – Quinta-feira
7h30min – CREDENCIAMENTO                                                                                        
9h – Abertura dos Estandes
10h – Abertura oficial da V Feira Municipal do Livro
CAMERATA DE VIOLÕES
10h30min – Teatro a cargo da E.M.E.Infantil Santa Clara: A Lebre e a Tartaruga
11h – Teatro a cargo da E.M.E. Infantil Trindade: Os Três Porquinhos
14h – Teatro a cargo da E.M.E.Infantil Sítio do Pica-pau Amarelo: Rapunzel
15h – Lançamento da obra e sessão de autógrafos: "Quando o céu madruga estrelas", de José Antônio Martins Macedo, Dr. Poeta.
16h30min – Teatro a cargo da E.M.E.Infantil Annadir França Laureano: A Cigarra e a Formiga
18h – Homenagem na Câmara de Vereadores ao Patrono da V Feira Municipal do Livro

21/10 – Sexta-feira
8h – Projeto Comunidade Leitora com o autor Walmor Santos na E.M.E.F.João Goulart
9h – Abertura dos Estandes
9h30min – Teatro a cargo da E.M.E.Infantil Severina Trassante Collares: Branca de Neve e os Sete Anões.
10h – II Copa de Xadrez
10h30min – Teatro a cargo da E.M.E. Infantil Alcida Chagas: Cinderela
13h30min – Palestra Motivacional com o autor Walmor Santos
Local: E.E. XV de Novembro
14h30min – Contação de Histórias com a Profª Bruna dos Santos
16h – Teatro a cargo da E.M.E.Infantil CAIC: Cachinhos de Ouro
16h30min – Contação de Histórias, com a Profª Nádia Vargas
17h – Teatro da E.M.E. Infantil Suely Barbosa de Abreu: Mágico de OZ
17h30min – Tarde de autógrafos: José Antônio Martins Macedo, Ana Rita Fagundes Léo, João Alfredo Reverbel Bento Pereira, Jeferson Marçal da Rocha, Roberto Bisogno, José Serafim Castilhos Jr. (Juca), Ester Bueno da Silva, Wilson Ferreira, Sonia Marli Ferreira, Luís Borges e Douglas Lisboa Melo
19h – Show com os cantores Vitória Staggemeier e Mauro Silva

22/10 – Sábado
9h – Abertura dos estandes
10h – Exposição de Gibis
14h30min – Apresentação de Bandas
15h às 17h – Tarde de autógrafos: José Antônio Martins Macedo, Ana Rita Fagundes Léo, João Alfredo Reverbel Bento Pereira, Jeferson Marçal da Rocha, Roberto Bisogno, José Serafim Castilhos Jr. (Juca), Ester Bueno da Silva, Wilson Ferreira, Gelson Weschenfelder, Luís Borges, Douglas Lisboa Melo e Sonia Marli Ferreira
17h – Contação de Histórias com a Profª Vera Lígia Macedo
20h – Show com Wilson Paim e Banda
23/10 – Domingo
10h – Abertura dos Estandes
Exposição de Gibis
16h – Desfile das artesãs da E.M.E.F. Mascarenhas de Moraes
17h – Mateada Cultural
18h – Sarau de Poesias, com José Antônio Martins Macedo – Dr. Poeta, Clair Alves, Maria da Graça Cunha, Elody Menezes, Nelsi P. de Matos, Fernando Almeida, Rossyr Berny, Luís Borges e Cláudio Moreira
20h – Show com a Banda Improviso
21h – Encerramento Oficial da V Feira Municipal do Livro pelo Secretário Municipal Hélio Lemos Menna, pelo Patrono José Antônio Martins Macedo e pelo Capataz Nairo Pinto Gonçalves.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Do acordar ao teu lado

Rafael Cabral Cruz
Para Sônia


Teu rosto amanhece límpido,
um suave caminho brilhante
feito de pele, pelos e lábios...

Me chama, senda mágica!
Sou trêmulo caminhante
atrás de teus olhos sábios...

De que vale o caminho
sem o andar do viajante?

Neste quieto carinho
feito de luzes difusas,
espero por ti,
minha musa,
namorada,
amante...

Quero,
ao teu lado,
todo céu e terra,
toda a natureza,
toda beleza,
que teu corpo
encerra...


E, então, descobrir o paraíso!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Noche

La noche se durmió entre mis sábanas,
escondiendo sollozos entre truenos.
Las primeras luces dijeron no era sueño
el motivo de la pena y del desvelo.
Y aunque vivas en mi alma,
y aunque no busque consuelo,
cada estrella dirá tu nombre
toda vez que mire el cielo.

Esporeando

Cansado de fazer sombra
Sempre no mesmo lugar
Encilhei o meu tordilho
E saí do Uruguai

O xergao, carona e basto,
Judiados das camperiadas,
Os pelegos meia la,
E as cordas bem engraxadas.

Vou cambiar o meu destino,
Levo comigo as lembranças
E uma mala de garupa
Carregada de esperanças.

Se foi o tempo de farra,
Agora é uma vida nova;
Tenho um guri que é meu norte
E a prenda que me consola.

As estradas sao mais curtas
Se sabes pra onde vais,
Se sabes bem o que queres
E sabes que queres mais.

E se cansa o meu pingo
Ou se enfrento temporais,
Se me perco em noite escura
Ou saudoso olho pra trás

Penso na prenda e no filho,
Um sorriso invade a alma,
Cravo esporas no meu pingo
E continuo a minha jornada.

domingo, 5 de junho de 2011

Sentinela das Águas

O ronco dos bugios
contraponteia o Uruguai...

Roncador,
rio que canta e cai
entre rochas e sarandis!

E ali,
entre rochas e águas,
amores e ardis,
paira, vigilante,
o casal de quero-quero...

.....................

Ou será tero-tero?....

quinta-feira, 2 de junho de 2011

LÍNGUA MORTA ?


O falar tupi-guarani vive entre nós.




Na TAPERA do CAIBOATÉ, o CAIPIRA BAGUAL, no CAFUNDÓ do BATOVI, CAPINOU a CAPOEIRA do CAPÃO,  com muita TAQUARA, BUTIÁ e ARAÇÁ, além do CAPIM. 

Nessa BIBOCA, perto da SANGA do JACARÉ, o CABOCLO plantou GOIABA,  MANDIOCA, AIPIM,  PIPOCA e AMENDOIM.

O PIÁ, seu filho CAÇULA, após curado da CACHUMBA e CATAPORA, fugiu até a SANGA , no PANGARÉ, de nome TUPÃ. Mergulhou e ficou de TOCAIA, oculto pela CANOA,  até o pai se afastar.

Ao sair do AGUAPÉ, na lama cheia de MINHOCA, com a CARAPINHA molhada, afugentou  CAPIVARA, URUBU e um TUCANO, que pousara em um pé de ARATICUM. Montou sua ARAPUCA para pombas, pois era essa sua missão do dia.

Enquanto esperava, o PIÁ , na velha PAINEIRA, cheia de SAMAMBAIA, CIPÓ  e  CATURRITA CARIJÓ, foi colher mel de MIRIM, mas lhe atacou um enxame de MARIMBONDO saído dos galhos de um INGÁ. Correu rápido para a mata de AROEIRA, PITANGA, MATE,  CAÚNA, GUAJUVIRA, CATIGUÁ, GUAMIRIM, CABROÉ,  CAMBOATÁ,  AGUAÍ, CAMBARÁ,  COPOROROCA,  GUABIJU  e  JERIVÁ. 

Correndo, tropeçou em um CUPIM, acordando um GAMBÁ que descansava sob um ABACAXI-ANANÁ, coberto por uma trepadeira de CUMBUCAS, CUIAS que os índios utilizavam para beber água.

Entardecia. Ele precisava voltar com sua caça. Depois de atravessar a cavalo a sanga do PIRAÍ e o rio JAGUARI,  o menino chegou de volta à TAPERA, coberto de PEREBA.  Foi ajudar  o pai, seu XARÁ, que estava construindo, em MUTIRÃO, uma casa de torrão.

Depois do banho no VACACAÍ, sua mãe o esperava com um quentinho PIRÃO doce de CANJICA. Saboreado o MINGAU, dormiu ao embalo de um materno e sonolento CAFUNÉ.


As palavras grafadas em maiúsculo, têm sua origem no tronco linguístico tupi-guarani.



Monumento aos últimos charruas, nômades do Pampa Gaúcho e Uruguaio.

-Declarado Monumento Histórico Nacional do Uruguai
-Realizado por Edmundo Pratti, Gervasio Furest Muñoz y Enrique Lussich, 1938.
-Localizado no Prado de Montevidéu. Homenageia o povo charrua após ser dizimado na "Matanza de Salsipuedes", em 11/04/1831.

-São representados os caciques  Vaimaca, Tacuabé, Senaqué y Guyunusa



Autor: Ronaldo Machado da Fontoura, 2/06/2011




y'BAKACAAI




Das minas graníticas de Babaraquá,
se estendem os primeiros fios de cristal,
levando  luz  entre aromas das canelas,
alimentando nuvens de penas. Escamas.

No degrau aos sedimentos, a lentidão
flutua buquês estrelados da guajuvira,
mergulhados das copas de chumbo.
Ao calor das pedras , peixes insaciados
vêm ao sabor das azeitonas do tarumã,
obelisco no negro encharcado do solo.

Ilhas acorrentam correntes acorrentadas,
amarradas aos novelos de sarandis ...
e a já fina lâmina atravessa a cidade.

Surdos ouvem gritos do espancado,
estuprado pelas  adiadas ações,
afogando liberdade às torrentes.

Mas galopam os aromas rosados,
vapores inundados do açoita cavalo,
ladeados pelos dragões dos jerivás.

A água, curvas macias de pele morena,
sua sangas de sensualidade  avermelhada,
das doces cerejas do guamirim noturno.

Encalham nas florestas derrubadas,
os barcos que buscavam o dourado
fugitivo, a coruja que voou do cabroé.

...e  águas virão,  após esta cegueira,
trazer as sementes mágicas do  aguaí
plantadas em casal,  nas curvas do rio,
esperma e fruto do triunfo da vida.



Rio Vacacaí - São Gabriel


Texto e foto: Ronaldo Machado da Fontoura, 2/06/2011





quarta-feira, 25 de maio de 2011

De Rios e Águas


Seguindo o tema das águas, lembrei de um poema de Gabriela Mistral (1889-1957), grande poetisa (Prêmio Nobel de Literatura) e professora chilena, presente em sua Antologia. Deleitem-se.


           Agua


             Gabriela Mistral

Hay países que yo recuerdo
como recuerdo mis infancias.
Son países de mar o río,
de pastales, de vegas y aguas.
Aldea mía sobre el Ródano,
rendida en río y en cigarras;
Antilla en palmas verdi-negras
que a medio mar está y me llama;
iroca lígure de Portofino:
mar italiana, mar italiana!

Me han traído a país sin río,
tierras-Agar, tierras sin agua;
Saras blancas y Saras rojas,
donde pecaron otras razas,
de pecado rojo de atridas
que cuentan gredas tajeadas;
que no nacieron como un niño
con unas carnazones grasas,
cuando las oigo, sin un silbo,
cuando las cruzo, sin mirada.

Quiero volver a tierras niñas;
llévenme a un blando país de aguas.
En grandes pastos envejezca
y haga al río fábula y fábula.
Tenga una fuente por mi madre
y en la siesta salga a buscarla,
y en jarras baje de una peña
un agua dulce, aguda y áspera.

Me venza y pare los alientos
el agua acérrima y helada.
Rompa mi vaso y al beberla
me vuelva niña las entrañas!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Do Rio


Foto de Rafael Cabral Cruz


As águas passam.
Cada entardecer resplandece em luzes.
Cada um diferente do outro.

O rio flui.
O vento canta nas ramagens.

E
O barco
Espera o mesmo pescador,
Neste mesmo rio
Que não é o mesmo...
Mas continua sendo
A cada dia
O Rio!

E
Nesta onda
Vive o mesmo pescador.
Um mesmo olhar
Que não é o mesmo...
Fitando um destino
A cada dia
Novo!